Você sabe quais são os principais aspectos da doença do século?

Atualizado: Nov 10

Quase todos nós temos períodos em que nos sentimos tristes, letárgicos e sem interesse por qualquer atividade, até mesmos aquelas atividades agradáveis que já estávamos acostumados a realizar há muito tempo.


Sintomas depressivos leves, como por exemplo essas reações descritas acima, são uma resposta normal para os estresses que vivenciamos em determinada situações de nossas vidas. Geralmente ocorre em resposta à acontecimentos marcantes mas que passam com o tempo e que, geralmente, não impedem a pessoa de ter uma vida normal.


Só passa a ser considerado um transtorno quando os sintomas se tornam tão severos que prejudicam o dia-a-dia da pessoa e se estendem por várias semana seguidas, atingindo os interesses, a vontade, a capacidade cognitiva e até mesmo a regulação do instinto.


Os transtornos depressivos são relativamente comuns, sendo que 17% das pessoas têm um episódio de depressão profunda em algum momento da vida. (Kessler et al., 1994).


OS SINTOMAS


Os sintomas podem variar para cada pessoa e também podem variar em cada crise. Para melhor explicar o que uma pessoa com depressão pode sentir, vou dividir em quatros listas.


Emocionais:

Tristeza;

Angústia;

Perda de prazer;

Letargia;

Irritabilidade;

Desânimo;

Solidão;

Frustração;

Ansiedade;

Medo;

Até mesmo raiva.


Cognitivos:

Visão negativa de si mesmo;

O mundo se torna negativo e hostil;

Desesperança com o futuro;

Baixa concentração;

Memória fraca;

Confusão mental;

Aflição;

Preocupação com a maioria das coisas;

Receios infundados;


Comportamentais:

Passividade ou agressividade;

Falta de iniciativa;

Falta de persistência;

Apatia;

Sensação de vazio;

Isolamento;

Lentidão.


Físicos:

Mudança de apetite;

Muito sono;

Dificuldade para dormir;

Fadiga;

Aumento de dores e mal estar;

Tensão;

Agitação.


Em alguns casos, os sintomas podem surgir sem relação aparente com acontecimentos traumáticos da vida, sob forma de episódios que perduram por vários meses. Muitas vezes os episódios repetem-se ao longo da vida. Noutros, a intensidade dos sintomas é menor, os pacientes vão conseguindo seguir com a rotina habitual, mas permanecem com uma sensação de fadiga, tristeza, desinteresse e tensão, que se arrasta durante anos.

DOENÇAS RELACIONADAS


É uma doença que pode tanto surgir sozinha, decorrente à eventos ou até mesmo genética, como pode ser desenvolvida mediante à outros fatores emocionais ou físicos, como por exemplo: sofre com transtorno bipolar (oscilação entre depressão e euforia), transtorno de ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno do pânico, transtorno borderline; como também ter sido acometido com doenças como câncer, tireoidite de hashimoto, diabetes, entre inúmeras outras.


Como podemos ver, é muito comum que não seja uma doença que atua de maneira solo. Entendendo isso, é possível compreender que ela também pode causar outras doenças. Por exemplo, uma pessoa depressiva há muitos anos e que não faz o devido tratamento, também passa a negligenciar sua alimentação, não pratica exercício físico, dorme mal e por aí vai. Essa pessoa pode desenvolver obesidade, ter problemas de tireoide e glicemia, até mesmo desenvolver um câncer de tanto que inflamou seu organismo com consumo de industrializados.


Como você vê, depressão é uma doença muito mais avassaladora do que se pensa. Recusar-se aceitar que a tem e que precisa trata-la, é abrir caminhos para que novos problemas passem a surgir.

CAUSAS


Como citado acima que pode ser decorrente à eventos da vida ou genética, vale explicar com um pouco mais de detalhes que as possíveis causas incluem fontes biológicas através da hereditariedade, ou seja, se um dos pais ou ambos tiveram a doença, o filho é mais propenso a ter também. Por isso é importante sempre buscarmos ter uma noção básica da árvore geneológica da saúde familiar. As vezes seus pais nunca foram diagnosticados com depressão, mas na realidade a tem; e assim o pais deles; e assim os pais deles.


Já quando falamos em eventos da vida, podemos tanto estar falando de situações traumatizantes como sequestros, abuso sexual e violência, assim como qualquer outro tipo de evento estressante como por exemplo muita pressão no trabalho, problemas financeiros, problemas familiares, estresse com os estudos, divórcios, gravidez, isolamento social na terceira idade e até mesmo organizar um casamento. Não há situações específicas, o evento que pode desencadear o surgimento da depressão vai depender única e exclusivamente da singularidade de cada pessoa e sua maneira de enxergar e lidar com as coisas ao seu redor.


E no quesito à estar relacionada à outras doenças como já citado anteriormente, o abuso de álcool e outras drogas também são causas específicas.


Por isso o profissional investiga não só os acontecimentos traumáticos da vida do paciente, mas também os medicamentos que este está tomando e a existência de outras questões habitualmente associadas à depressão.

E se você pensa que a depressão se trata apenas de um conjunto de sintomas ambulante, é aí que você se engana. Não é apenas uma maneira negativa de enxergar as coisas, trata-se de uma alteração na função cerebral, incluindo a atividade anormal de certos circuitos neuronais do cérebro. Veja esse vídeo que extrai da internet, ele vai te explicar muito melhor como é complexo o processo de humor:



DISTORÇÕES COGNITIVAS NA DEPRESSÃO


Ate aqui falamos o que é a depressão, sintomas e suas causas. Agora vamos entender um pouquinho melhor como uma pessoa depressiva costuma pensar.


Na terapia cognitivo-comportamental trabalhamos com algumas definições que são maneiras "errôneas" que nós costumamos ter frente a situações que vivenciamos. Na depressão, as mais comuns de acontecerem são:

Saber identificar quando está tendo pensamentos assim é importante para ajudar a mudar a maneira de reagir frente às dificuldades e assim parar de fazer uma manutenção da doença.

TRATAMENTOS


Dependendo do nível de depressão, a Psicoterapia sozinha é eficaz. Uma das abordagens que mais se destaca para quem sofre de depressão é a Terapia Cognitivo-Comportamental por trabalhar em cima da flexibilização de pensamentos (como os citados no quadro acima) e crenças disfuncionais, alterando assim alguns comportamentos/atitudes desajustados.


Todavia, em casos mais severos, a intervenção Psiquiátrica é fundamental, pois através da medicação será possível atingir um nível de estabilidade da funções cerebrais que permitirá ao paciente conseguir racionalizar, e assim, conseguir obter resultados com a psicoterapia em conjunto.

Vou reforçar aqui a importância de um processo de terapia em PARALELO com o processo psiquiátrico, não sendo indicado o tratamento independente com a medicação, pois o paciente precisa saber desenvolver habilidades para lidar com a doença e sustentar a melhora depois que parar com os remédios.

A FAMÍLIA


A família é atingida como um todo quando um de seus membros apresenta depressão. E não é raro que surjam dificuldade entre a pessoa deprimida e um membro da família como pais, irmãos, cônjuges e até mesmo filhos.


O surgimento de pensamentos negativos, a tristeza e a falta de esperança podem, inclusive, retardar o tratamento.


Nesse sentido, a família pode incentivar a pessoa, acompanhá-la em algumas atividades do dia-a-dia como por exemplo ir até as consultas com o paciente e conscientiza-lo de que os resultados podem demorar algum tempo, mas que serão positivos.


É importante também a atenção às atitudes e até mesmo ao que o paciente verbaliza nos momentos em que estão juntos. Mostrar que estão presentes e atentos à pessoa, discutindo com ela as dificuldade e emoções de forma tranquila e compreensiva.


Entretanto os familiares também precisam ter cuidado em não oferecer ajuda demais, assumindo todas as responsabilidades do paciente e consequentemente tirando o domínio da autonomia dele, já que isso pode se desenvolver à uma dependência do paciente em se manter doente, pois ele passa a ter "ganhos" secundários como acreditar que somente doente vai ter esses familiares por perto (medo de abandono) ou que assim vai continuar tendo pessoas resolvendo as coisas por ele (crença de incapacidade).


Os familiares precisam saber sobre a doença, seus sintomas e tratamentos, entender que a depressão não surge por culpa da pessoa e que a melhora vai muito além de "deixar ou não deixar" a tristeza o dominar.


A evolução e recuperação do indivíduo deprimido dependem muito do apoio e especialmente a compreensão de seus parentes.


“EU PENSAVA QUE VOCÊ ERAS MAIS FORTE”

“ISSO É TUDO COISA DA SUA CABEÇA”

“VOCÊ TEM APENAS QUE TER FORÇA DE VONTADE”

“PARA DE SE LAMENTAR”

“HÁ PESSOAS QUE ESTÃO MUITO PIOR DO QUE VOCÊ”

“VOCÊ TEM TUDO PARA SER FELIZ, PORQUE AINDA ESTÁ ASSIM?”

“VOCÊ NÃO DEVIA TOMAR TODOS ESSES MEDICAMENTOS”

“FAZ UMA VIAGEM E VOCÊ FICARÁ ÓTIMA”

“DESABAFA COM OS AMIGOS, VOCÊ NÃO PRECISA DE MÉDICOS”

“TODO MUNDO FICA PARA BAIXO DE VEZ EM QUANDO”

“O MUNDO NÃO É ASSIM TÃO MAU”

“VOCÊ É RESPONSÁVEL POR ESTAR ASSIM”

"SÓ ESTÁ QUERENDO CHAMAR A ATENÇÃO"

"VOCÊ SÓ PRECISA REZAR MAIS"

"VOCÊ ESTUDOU PSICOLOGIA, NÃO DEVERIA TER PROBLEMA NENHUM, DEVERIA SABER COMO RESOLVER"

"ISSO É FRESCURA"

"ISSO É DOENÇA DE RICO"

"QUANDO ESTOU TRISTE JÁ FALO PARA MIM MESMA QUE PRECISO ME ANIMAR".

"EU NÃO DEIXO A DEPRESSÃO ME PEGAR"


Eu sei que para você, que nunca passou por isso, conseguir compreender como funciona as coisas para uma pessoa depressiva, pode ser difícil. E justamente por isso, por você não saber como é, você deve tomar o máximo de cuidado para não julgar, e além disso pensar o seguinte: "Por que a doença do outro é tão desconfortável para você?"


Encerro esse artigo com essa reflexão!


Até uma próxima.

Bibliografia:

Introdução à Psicologia de Hilgard/Rita L. Atkinson, Richard C. Atkinson, Edward E. Smith, Daryl J. Bem, Susan Nolen-Hoeksema e Carolyn D. Smith; trad. Daniel Bueno. - 13º ed - Porto Alegre: Artmed, 2002.

Terapia cognitiva: teoria e prática / Judith S. Beck; trad. Sandra Costa. - Porto Alegre: Artmed, 1997.

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